segunda-feira, 26 de março de 2007

"...Até vou pagar o couvert!"

Mão-de-vaca, pão-duro, turco, avarento... Não faltam adjetivos para classificar aquela pessoa que tem um escorpião no bolso.
Dizem que se este pular numa piscina com um sonrisal na mão, não veremos nenhuma bolha efervescente!
E o mundo está cheio de gente assim.
Olha que legal. Você sai à noite, vai num barzinho bacana, ambiente legal, comida boa, cerveja boa e gelada, garçons atenciosos, serviço rápido, música ao vivo e de qualidade (claro, eu tenho que puxar a sardinha pro meu lado também!). Aí na hora que chega a conta, ainda tem gente que ‘quebra o pau’ achando um absurdo pagar 10% de taxa de serviço (a gorjeta do garçom que te serviu bem a noite toda, com aquele sorriso no rosto) e ainda mais os absurdos DOIS REAIS de couvert artístico pro coitado do músico que tocou 4 horas seguidas, o repertório que você mesmo achou o máximo e aplaudiu a noite toda, atendendo aos pedidos simpáticos por músicas no guardanapo (aliás, eu guardo todos eles, pra quem não sabe) sorrindo também, é claro.
As vezes dói ouvir do cliente que se recusa a pagar couvert. Tudo bem, cada um faz o que acha correto. Mas ia ser bem legal ver esta pessoa, que também deve trabalhar em algum lugar (afinal de contas, ganha uma graninha pra poder sair aos finais de semana, tomar uma cervejinha com os amigos “naquele bar legal que tem música boa”), chegar no final do mês e ouvir do patrão que não vai receber por que este mesmo acha um ABSURDO pagar salário pro empregado.
Ora bolas. Viver num país que dá incentivo mínimo à cultura nós já vivemos. Agora ter que conviver com gente que acha absurdo pagar pela diversão que está tendo chega à beira do ridículo.
Tá. Ultimamente eu ando reclamando bastante por aqui, mas sobre este assunto já estava pra escrever aqui faz tempo.
Uma vez eu estava num dos bares que eu toco e então o dono me pediu pra ajudá-lo a ler os e-mails que ele estava cadastrando para um mailing. Era uma folha de sugestões para o bar, que ele entrega para os clientes juntamente com a conta. Acho isso muito importante, por que temos a oportunidade de dizer ao dono do estabelecimento se fomos bem tratados, se a comida estava boa, dar sugestões e fazer elogios e críticas construtivas.
É claro que, pelo bar que eu estava, as folhas continham muitos elogios. O bar é REALMENTE muito bom. Mas aí me deparei com uma folha escrito o seguinte: “(sic) Eu acho um absurdo cobrarem 10% mais couvert!!! Ou um, ou outro!”.
Dá vontade de falar pra um cara desses: “Eu acho um absurdo você ter um garçom pra te levar a cerveja na mesa ou um músico pra tocar no bar! Ou você levanta essa bunda da cadeira, vai até o freezer e pega sua cerveja, ou pega o violão e começa a dedilhar ‘Wish You Were Here’ AGORA!”.
Tem cada uma... Um dia, estávamos eu e o Raoni tocando num barzinho. Já tínhamos acabado o repertório e estávamos “fazendo hora” com os amigos que foram nos assistir. De repente, um cara chegou até nós e nos elogiou muito. Ficamos muito lisonjeados com os elogios, é claro. Até o cara dizer: “Olha! Parabéns mesmo! Vocês são muito bons. Como prova disso, hoje, pela primeira vez eu ATÉ vou pagar couvert!”.
O Raoni olhou pra mim com uma cara que não consigo descrever. “Até?” “Até vai pagar o couvert?”. Nossa! Que nobre! Quer dizer então que as outras 286 vezes que o cara foi num barzinho tomar uma breja e curtir um som ele “nem” pagou o couvert. Francamente.
Agora não mais tragicômico do que ver uma pessoa fazendo esse tipo de comentário é ouvir algumas coisas que temos que ouvir no final da balada.
Olha, ser músico REALMENTE recompensa a gente. Em todos os aspectos.
Tem coisas que são tão ridículas que a gente já automaticamente as transforma em algo muito engraçado pra poder contar para os amigos e dar risada depois.
Uma vez estávamos tocando com a ExQuadrilha num bar super ‘badalado’ aqui da região. TODOS estavam adorando o som. A noite estava simplesmente maravilhosa e nada, eu disse NADA poderia tirar o sorriso do meu rosto aquele dia. Tudo estava perfeito, era nossa estréia no bar e todos estavam adorando a banda. Inclusive um dos sócios que pulava na frente do palco cantando e batendo palmas.Como disse, estava eu na minha noite “playmobil – nada vai tirar este sorriso do meu rosto". Estávamos lá pela ante-penúltima música do repertório, exaustos porém satisfeitíssimos com o resultado. Foi quando uma garota, que pulou a noite toda na frente do palco, cantando aos berros todas as músicas que tocamos, chegou pra mim no intervalo entre uma música e outra e me perguntou (já um tanto que alcoolizada): "Vocccê toca Dooorrs?". E eu, todo simpático: "Putz, me desculpe, mas vou ficar devendo essa...". Aí a mina não titubeou. Olhou pra minha cara e berrou: "QUE BOSSSSSTA! QUE BOSSSTA DE BANDA!".

(pausa para respirar fundo)

Olhei pro Vagner que estava do meu lado e comecei a rir. Foi a única reação que tive. Que eu vou falar pra mina? "Vai se foder, sua bostinha!"? Tem que rir mesmo. Eu ri por que eu pensei que só músico da noite tem a oportunidade de ouvir estas bobagens mesmo. A mina dançou a noite toda, aplaudiu, mandou bilhetinho e no final quando a "bosta de banda" não toca Dooooooorrrsss, ela xinga e vira a cara.
HAHAHAHAHA.
Ai, ai...só rindo mesmo.

Bom, chega de reclamação. Afinal de contas, ser músico é uma delícia. Mesmo com mina bêbada xingando a gente na beira do palco.
Garanto. Daqui 2 anos, ela vai estar dizendo para as amigas que já veio falar comigo numa balada dessas por aí. Só que ela não vai lembrar que a banda não tocava Dooooooooorrssss...

Abraços e mto rock'n roll pra vcs!

terça-feira, 20 de março de 2007

Lembranças

Recomendação de trilha sonora para ler este texto: “Eyes” da banda ‘Rogue Wave’. (hahaha, ta pretencioso, heim rapaz?!).

Hoje estou filosófico. Inspirado, eu diria.
Ontem fui a São Paulo para o aniversário de uma grande amiga minha, a Dani. Bom, eu simplesmente amo São Paulo (ah, claro, eu amo a Dani também! Hehehe).
Tem alguém que eu conheço que vai ler isso aqui e vai dizer "tu é louco, guri", mas eu sei, não adianta lutar. Eu amo São Paulo.
É claro que eu não enfrentei a vida estressante, o caos, o trânsito, mil vezes por ano. Mas tudo que tive em São Paulo me traz boas lembranças. E é sobre elas que vou falar hoje. (Deixando bem claro: Não só as que tive em São Paulo, mas em todos os lugares que já passei).
A vida é feita de momentos. Os ruins, queremos esquecer o mais rápido possível ou, arrisco a dizer, foram muito bons para se ter um aprendizado de uma maneira mais rápida e dolorida (crescer dói, como diz o Juliano). Pelo menos com os meus maus momentos eu aprendi bastante.
Os bons? Ah, os bons momentos! Estes a gente guarda, numa gaveta gigante, com acesso livre em nossas mentes para que possamos revê-los sempre que preciso, sempre que assim desejar. Às vezes estes bons momentos vêm com trilha sonora, o que melhora ainda mais a lembrança.
Eu sempre digo que a vida deveria ter trilha sonora ambiente. Ou então, viajando ainda mais, imaginem um chip implantado na gente que relaciona qualquer momento que estamos passando com músicas que estão em nossa memória. Aí, em determinado momento que está acontecendo, ou em determinada lembrança, começa a tocar “aquela” música, bem na hora certa. PERFEITO! Nossa! Ia ser o máximo!!! (E não, eu não ingeri qualquer tipo de droga – mas bem que você gostou da idéia do chip).
Mas voltando da minha ‘viajeira’ básica, estava falando sobre lembranças e momentos bons, sim! Os momentos bons.
Guardo muitos momentos bons. Momentos que passaram rapidamente, ou momentos que pararam o tempo pra deixar aquela lembrança inesquecível.
Hoje estou aqui para agradecer todas as pessoas que me proporcionaram estes momentos. São tantas coisas, tantas passagens, tantas pessoas, que não caberiam aqui neste texto. Que nem com todos os GIGAS e os TERAS existentes nesta infinita rede conseguiria arquivá-los numa web page. Só a mente e o coração mesmo é que conseguem fazer isso. E o mais mágico de tudo é que você pode acessá-los em ‘nano-segundos’ (se bem que as vezes até nossa mente precisa de um “Ctrl+Alt+Del” pra dar aquela ‘resetada’ básica...) e se emocionar, rir, gargalhar, sentir frio na barriga, nó na garganta, tudo ao mesmo tempo, com uma só lembrança.
Nossa mente é mágica. Quem disse que não temos o poder do tele-transporte? Hiro Nakamura* que me perdoe, mas é a minha vez de gritar “YAATAAAHH”.
Em segundos posso me locomover quilômetros! Viajar no tempo. Sentir de novo aquele abraço, aquele beijo. Ouvir aquela besteira tão engraçada e rir novamente. Ouvir a batucada e a gargalhada da galera cantando e cantar junto "tomando uma cerveja e fumando até o apodreceeeeerr..." ou "tá faltando, enximentooo...". Sentir a emoção, o nervosismo, o cheiro! Meu! Até o cheiro! Vai me dizer que memória olfativa não uma das coisas mais fantásticas que existem?
Estas palavras jogadas aqui com uma certa ordem e concordância (espero que corretas) são dedicadas a todos vocês que fazem, fizeram e ainda vão fazer parte da minha vida. Todos nossos momentos terão trilha sonora (e eu não preciso de chip) e terão o devido espaço reservado no meu HD.
Não importa o rumo que as coisas tomem. A situação em que todos nós nos encontramos. Um texto de Shakespeare diz mais ou menos assim: “(...) com o tempo você aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam (...)”.
As pessoas mudam. As circunstâncias mudam. Muda-se o tempo, mas nada muda o que aconteceu com você (você pode até, por uma fatalidade ficar desmemoriado, mas se não for por isso, fique tranquilo que estes momentos o acompanharão). Portanto, saiba preservar as boas lembranças e a lidar com elas. Elas são a presença viva em nossa memória de todos que passaram, passam e vão passar por nossas vidas.

Um grande abraço.

*Hiro Nakamura é um personagem da série HEROES que, aqui no Brasil, é transmitida pelo Universal Channel. Eu recomendo!

sábado, 17 de março de 2007

Show Cancelado

Amigos, fãs, público em geral, peço desculpas pelo cancelamento do show de ontem (sexta-feira dia 16/03) que, em virtude da fiscalização tardia e desejo de mostrar trabalho na hora errada (infelizmente, neste país é preciso acontecer uma merda pra alguém tomar a providência depois do ocorrido) foi prejudicado, juntamente com a casa que nos acolhe todo final de semana.
Na madrugada de quinta pra sexta, ocorreu um assassinato, dentro de uma das casas noturnas que se instala na mesma rua onde tocaríamos nesta sexta-feira.
Correria, gritaria, confusão. Ta lá um corpo estendido no chão. E aí é aquela coisa: polícia que demora a chegar, gente pisoteada, uma baixaria.
No dia seguinte sai no jornal, aquele bafafá!
Cheguei no Coronel pra montar os equipamentos lá pelas 18h00 (sim, vida de músico não é só sentar, cantar, tocar e ir embora – depois vou escrever um post só falando sobre isso). Rua vazia. Parei meu carro até na frente da balada, coisa que normalmente, numa hora dessas, é impossível.
Mas tudo bem. Descarreguei o carro, pluguei os cabos, arrumei tudo direitinho, afinei o violão, deixei tudo “nos trinques” e esperei o Rick Batera chegar. Só se comentava sobre o assassinato da noite seguinte.
Rick chegou, montou sua batera, Raoni chegou, montou os equipos do baixo e tudo pronto pra entrar. Ainda eram 19h20 e entraríamos às 20h15.
De repente, cerca de umas 10 viaturas da polícia se instalaram no local. Olhamos um para o outro e comentamos: “Um pouco tarde, não é mesmo?”. Dois fiscais da prefeitura entraram, fuçaram, cheiraram, mexeram, andaram pela casa toda, resmungaram, falaram com o gerente e foram embora. Nesta hora, um dos garçons veio até nossa mesa e disse que a casa havia ganhado “parabéns” por ter todos os alvarás e blá, blá, blá, mas a merda (pros coitados dos músicos) ainda estava por vir. O gerente veio e disse que as casas da rua estariam proibidas de ter música ao vivo devido ao tumulto de ontem.
Sabe, acho muito importante a fiscalização. Esta é feita para que você possa se sentir seguro quando sai para se divertir, quando sai do trabalho numa sexta-feira, com a cabeça lotada, salivando pra virar aquela caldereta de chopp bem gelado, pra saber que o que você está comendo NÃO contém mais coliformes fecais do que sal, pra saber que a grana que você paga na hora de acertar a famosa “dolorosa” ajuda a manter o local limpo e perfeito e que você pode voltar lá a hora que quiser, pois sabe que estará seguro.
Muito importante também para os funcionários da casa, os músicos que ali trabalham se sentirem seguros e poderem trabalhar tranquilamente, oferecendo um serviço de qualidade para o público que ali está.
Só que não basta fazer as coisas depois que a merda acontece. Encher a rua de viaturas um dia depois é fácil. Aí fica aquela coisa durante uma semana, depois passa (como tudo aqui no Brasil passa).
A segurança tem que ser uma constante na nossa vida. Do contrário, daqui alguns anos, nem sair de casa pra tomar seu choppinho você vai poder mais. Quanto mais ver músicos ao vivo.
Aí, meu amigo, show só em DVD, dentro da sua casa, com as portas todas trancadas.
Que beleza.
E viva o Brasil!

quinta-feira, 15 de março de 2007

New Beggining

Bom galera.
Aqui vai não vai ser o muro das lamentações, garanto.
Apenas um espaço pra eu falar um pouco mais sobre mim e extravasar as besteiras que brotam dentro da minha cabeça.
Também vou contar alguns "causos" que vejo por aí, já que toco na noite todo final de semana... sempre tem alguma história boa pra contar.
Também vou dar dicas de música (dentro dos milhões de gêneros musicais que eu escuto - tirando pagode, sertanejo e funk carioca, é claro), filmes, vídeos, sites, livros... AH! Tudo.
Começando hoje com um filme que não poderia ser mais peculiar, ainda mais para um músico e compositor como eu (hm... músico e compositor - o cara se acha... mas como disse minha amiga Kelma hoje na academia "Se você não fizer seu marketing pessoal, você não vai pra frente”, então eu vou mais é me gabar mesmo!!!).
Voltando ao filme. Indico a todos vocês que gostam de filmes água-com-açúcar como eu, a nova comédia "Letra e Música", -
http://wwws.br.warnerbros.com/musicandlyrics/ - estrelada por Hugh Grant (sim, aquele inglês que foi pego com a ilustre praticante de meretrício no meio de um...deixa pra lá) e a linda, meiga, maravilhosa, “quero-casar-com-ela” Drew Barrymore.
O filme conta a história de um cantor (Hugh Grant) de uma banda pop dos anos 80 (a qual se chamava POP!) que foi esquecido pela mídia e pelo público e hoje vive as custas de showzinhos particulares cantando sempre as mesmas músicas da antiga banda que foi um sucesso. Ele tenta superar o fracasso, mas o fato de seu colega de banda ter ficado milionário depois do término da banda o atravanca um pouco. Ele conhece uma doida (Drew “merry me for Christ sake” Barrymore) que vai cuidar das plantas de seu apartamento e os dois formam uma dupla de compositores.
Bom, o resto eu não vou contar, vá ao cinema.
Uma dica é que as Lojas Americanas (olha o lobby aí geeeeente!) está fazendo uma promoção com os DVDs da Warner e este filme. Na compra de um DVD com o selo da Warner, você leva de lambuja um vale-ingresso.
Eu, como sou um cego-idiota-“come armas”, mesmo advertido pela minha ilustre amiga Catita, na porta do shopping, perdi a promoção por que não enxerguei o stand da Warner dentro das Lojas Americanas (juro, eu só via ovos de páscoa!) e perdi a promoção.
Mas você ainda pode pegar os seus óculos de grau e ir correndo a loja mais próxima, comprar dvds por 24 reais e ganhar um ingresso de cinema (que olhaaa, amigo, não ta fácil ir ao cinema hoje em dia não! Ingresso + pipoca + refri = 1.000.000,00 de reais!).
E olha que pra essa propaganda toda eu não ganhei um tostão! E ainda paguei meu ingresso.
De qualquer maneira, sejam bem-vindos ao meu site/blog/multiplicador de marketing pessoal/modelo/atriz.
Espero que vocês curtam meu som (se não curtirem, tudo bem, o problema não é meu).
Assim que outra inspiração vier à minha mente, volto a postar!
Um grande abraço!